Riscos de adoecimento no trabalho

um estudo em uma unidade de atenção primária á saúde

Autores

  • Isabel Cristiane Noronha Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM)
  • Cláudia Rachel Melo Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM)

Resumo

No Brasil, a Atenção Básica é desenvolvida com o mais alto grau de descentralização e capilaridade, ocorrendo no local mais próximo da vida das pessoas. Ela deve ser o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e centro de comunicação com toda a Rede de Atenção a Saúde. Para atender as mais diversificadas exigências, a grande demanda populacional e as diretrizes que orientam as políticas de reorganização da Atenção Básica, esses trabalhadores ficam submetidos tanto a situações geradoras de prazer quanto de sofrimento no trabalho. O estudo objetivou analisar a percepção do contexto de trabalho, suas exigências, vivências, bem como os problemas físicos, sociais e psicológicos experimentados por profissionais de uma Unidade de Atenção Primária à Saúde do Município de Patos de Minas. Trata-se de uma pesquisa de campo descritiva, com abordagem quantitativa, aplicado como projeto piloto em um grupo de 10 profissionais, que servirá de subsídio para avaliação de outras equipes de Estratégia de Saúde da Família. O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Centro Universitário de Patos de Minas – UNIPAM sob CAAE:39256014.7.0000.5549. Os dados foram coletados por meio de questionário que corresponde às escalas do Inventário sobre o trabalho e riscos de adoecimento-ITRA, junto aos 10 profissionais de uma equipe da Unidade de Saúde da Família. Com base nos resultados, denotou-se que na escala de avaliação do Contexto de trabalho (EACT), os fatores: organização do trabalho e condições do trabalho apresentaram médias de 3,63 e 3,15, respectivamente, apontadas como uma avaliação moderada, crítica sendo, portanto, necessária atenção, uma vez que podem interferir na qualidade do trabalho. Em relação aos dados referentes à escala de custo humano do trabalho, constatou-se que esta foi avaliada como moderada, critica, embora alguns itens apontados no primeiro fator, custo físico, como: usar as mãos de forma contínua (M=4,7), usar os braços de forma contínua (M=4,3), usar as pernas de forma contínua (M=4,2) apresentaram avaliação considerada grave, o que põe em risco todo o processo de trabalho e qualidade de vida destes trabalhadores. Nos resultados da escala de indicadores de prazer vivenciados pelos profissionais, o fator liberdade de expressão (M=4,05) apresentou de modo geral uma avaliação positiva, satisfatória. Em contra partida, na escala de indicadores de sofrimento constatou-se que o fator esgotamento emocional (M=2,7) apresentou avaliação mais negativa em relação à falta de reconhecimento (M=1,76). Os dados referentes à escala de danos relacionados ao trabalho mostraram uma avaliação positiva pelos trabalhadores no que diz respeito aos danos físicos, psicológicos e sociais em que estes profissionais estão submetidos. Torna-se portanto evidente que os riscos de adoecimento no trabalho são influenciados pelas mais diversas dimensões, formados por mais de um fator que por sua vez são interdependentes e de tal forma necessitam de intervenções.

Biografia do Autor

Isabel Cristiane Noronha, Centro Universitário de Patos de Minas (UNIPAM)

Graduanda do Curso de Enfermagem do Centro Universitário de Patos de Minas e bolsista do XVI Programa Institucional de Iniciação Científica

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Publicado

2018-07-27

Edição

Seção

Resumos