LIMITES DA LEGÍTIMA DEFESA: QUANDO A DEFESA SE TORNA EXCESSO

Autores

  • Waltencir Aparecido de Oliveira Alves
  • Minelvino Gonçalves dos Santos UNIPAM

Palavras-chave:

Direito Penal, excludente de ilicitude, proporcionalidade, excesso punível, moderação

Resumo

O estudo tem por temática central a delimitação da legítima defesa no direito penal brasileiro, analisando a fronteira entre o ato justificado pela excludente de ilicitude e a ocorrência do excesso. A legítima defesa, prevista no ordenamento como a reação necessária e moderada a uma injusta agressão, é um instituto fundamental para a proteção de bens jurídicos individuais. Surge, contudo, a problemática de identificar os critérios objetivos e subjetivos que configuram o excesso, seja ele doloso ou culposo, e as suas consequências jurídicas. O objetivo geral deste trabalho consiste em analisar a exigência da moderação na utilização dos meios necessários para a defesa, distinguindo a conduta amparada pela lei daquela que transcende os limites e gera a responsabilização penal. A relevância desta pesquisa justifica-se pela necessidade contínua de balizar a aplicação da excludente, garantindo que o exercício da autodefesa não se converta em vingança privada ou em agressão desproporcional. Para atingir os objetivos propostos, a pesquisa adota como metodologia o método dedutivo, baseando-se na revisão bibliográfica de doutrina especializada em Direito Penal e na análise de julgados que tratam da aplicação do excesso na legítima defesa. A discussão se concentra na interpretação do requisito da moderação, enfatizando que a desproporcionalidade manifesta entre a agressão e a reação defensiva é o principal indicador do excesso. Argumenta-se que o excesso doloso implica a punição do agente pelo resultado excedente a título de dolo, enquanto o excesso culposo, decorrente de erro evitável na avaliação da situação ou dos meios, sujeita o agente à pena correspondente ao excesso se este for punível a título de culpa, já o excesso exculpante ou escusável exclui a culpabilidade, uma vez que o agente se encontra em total descontrole emocional não sendo capaz de dosar sua reação física. É crucial considerar o contexto fático, a natureza da agressão e o estado de ânimo do agressor para avaliar a moderação da resposta. Conclui-se que o excesso na legítima defesa retira a justificativa legal do ato, sendo imprescindível que o aplicador da lei estabeleça uma análise rigorosa e casuística, de modo a preservar a essência da legítima defesa sem permitir o arbítrio, responsabilizando o agente apenas na medida da sua culpabilidade pelo excesso cometido.

Publicado

2026-04-16

Edição

Seção

RESUMOS – COMUNICAÇÃO ORAL