A INIBIÇÃO DO DIREITO DE AÇÃO TRABALHISTA: O DILEMA DO TRABALHADOR ENTRE JUSTIÇA E REPUTAÇÃO PROFISSIONAL

Autores

  • Carlos Eduardo Gonçalves de Oliveira
  • Jhonatan Dellano Machado Teixeira
  • Paulo Junio Moreira Fonseca

Palavras-chave:

Direito de ação, Reputação profissional, Justiça trabalhista, Retaliação, Mercado de trabalho

Resumo

O presente estudo aborda a inibição do direito de ação trabalhista, explorando o dilema enfrentado pelo trabalhador entre buscar a justiça por meio de uma ação judicial e preservar sua reputação profissional. No cenário trabalhista brasileiro, observa-se que, ainda que o empregado tenha motivos legítimos para processar a empresa, o medo de sofrer represálias ou ser estigmatizado no mercado de trabalho o leva a abrir mão de seus direitos. Essa questão é particularmente relevante quando se considera que o direito de ação é uma garantia constitucional, mas, na prática, enfrenta barreiras culturais e sociais que dificultam seu pleno exercício. A principal questão deste estudo é até que ponto o receio de prejudicar sua reputação inibe o trabalhador de buscar a justiça trabalhista. Adicionalmente, pergunta-se: quais mecanismos legais existem para proteger o trabalhador contra essas represálias e qual é a eficácia dessas medidas na prática? O dilema entre justiça e reputação coloca o trabalhador em uma posição de vulnerabilidade, levantando dúvidas sobre a efetividade das proteções legais disponíveis no Brasil. Assim, o objetivo geral do estudo é analisar as consequências dessa inibição do direito de ação e as barreiras impostas ao acesso à justiça nas relações de trabalho. Os objetivos específicos incluem: a) investigar a cultura empresarial brasileira e sua influência sobre a decisão do trabalhador de acionar judicialmente a empresa; b) analisar os dispositivos legais destinados a proteger o trabalhador contra retaliações e avaliar sua aplicação no cotidiano das relações trabalhistas; c) estudar a jurisprudência e casos concretos em que trabalhadores foram prejudicados ao exercer seu direito de ação; d) avaliar alternativas jurídicas e sociais que possam garantir um equilíbrio entre a proteção dos direitos trabalhistas e a manutenção da reputação profissional do trabalhador. A metodologia utilizada inclui pesquisa teórica, com base no método dedutivo. O estudo contará com revisão bibliográfica de artigos, legislações trabalhistas e análise de jurisprudência. O debate doutrinário revela uma divergência sobre a eficácia das leis que protegem o trabalhador contra retaliações. Não há, na legislação brasileira, uma estabilidade provisória para trabalhadores que movem uma ação judicial contra a empresa. Parte da doutrina acredita que os mecanismos já existentes, como o segredo de justiça e algumas proteções específicas para gestantes ou membros da CIPA, são insuficientes para combater o estigma associado à ação judicial. Esse estigma é especialmente prejudicial em setores competitivos, em que a reputação tem um peso significativo. Conclui-se que, embora o direito de ação seja garantido constitucionalmente, sua inibição no campo trabalhista compromete o exercício dos direitos fundamentais dos trabalhadores. Como solução, sugere-se a criação de políticas públicas mais eficazes, campanhas de conscientização e mecanismos robustos de proteção contra represálias, permitindo ao trabalhador buscar justiça sem temer por sua carreira.

Publicado

2026-04-17

Edição

Seção

RESUMOS – PÔSTER